domingo, 14 de outubro de 2007

Circuladô de Fulô

No teu branco seio eu choro.
Minhas lágrimas descem pelo teu ventre
E se embebedam do perfume do teu sexo.
Mulher, que máquina és, que só me tens desesperado

Confuso, criança para te conter!
Oh, não feches os teus braços sobre a minha tristeza não!
Ah, não abandones a tua boca à minha inocência, não!
Homem sou belo
Macho sou forte, poeta sou altíssimo
E só a pureza me ama e ela é em mim uma cidade e tem mil e uma portas.
Ai! teus cabelos recendem à flor da murta
Melhor seria morrer ou ver-te morta
E nunca, nunca poder te tocar!
Mas, fauno, sinto o vento do mar roçar-me os braços
Anjo, sinto o calor do vento nas espumas
Passarinho, sinto o ninho nos teus pêlos…
Correi, correi, ó lágrimas saudosas
Afogai-me, tirai-me deste tempo
Levai-me para o campo das estrelas
Entregai-me depressa à lua cheia

Dai-me o poder vagaroso do soneto, dai-me a iluminação das odes, dai-me o [cântico dos cânticos
Que eu não posso mais, ai!
Que esta mulher me devora!
Que eu quero fugir, quero a minha mãezinha quero o colo de Nossa Senhora!

Poemas para todas as mulheres - Vinicius de Moraes

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Pão Recife

E onde quer que esteja
Essa brisa que eu não sinto
Não vou atrás dela
Quero que ela se apaixone por mim...

E se estiver muito longe
Mesmo se o cheiro for feitiço
Pão Recife ou urucum
Quem quiser que venha aqui

Pão Recife ou urucum
Com o rubro da vermelhidão
Pão Recife, mucunzá
Doce de Cosme e Damião

Quem tiver saudade
Quem quiser minha presença
A minha cidade é a mesma
Pão Recife com café.

(Anselmo Oliveira, Rio, Out/2007)

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