domingo, 23 de dezembro de 2007

Tom Zé - O silêncio de nós dois

Passo a passo
Braço a braço
Um sorriso, um silêncio
Sete dias, oito horas, dezenove, vim te ver
No teu colo
Me consolo
No teu braço, travesseiro
No teu riso, me desperto
No teu canto, adormeço
Teu vestido era verde
Na verdade salmon
De saudade era claro
Claridade por mim
Na ternura do vento
Na ventura do branco
Na brancura do lago
Na largura do céu
Não cabe um sonho
Nós dois
"(...) Todo sentimento precisa de um passado pra existir
O amor não, ele cria como por encanto um passado que nos cerca
Ele nos dá a consciência de havermos vivido anos a fio
Com alguém que a pouco era quase um estranho
Ele supre a falta de lembranças por uma espécie de mágica..."

***Poema de Benjamin Constant***

Pérolas do Youtube

O Paradoxo da espera do ônibus


Pérolas do Youtube

O Paradoxo da espera do ônibus


Luís Fernando Veríssimo - O lixo

Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.
- Bom dia...
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do
612
- É.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é...
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de
flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
- É que eu estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio
muito. Sabe como é.
- Namorada?

- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler...
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.

- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.

- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.- No seu lixo ou no meu?
"Vivemos em um mundo onde nos escondemos para fazer amor... e enquanto isso a violência é praticada em plena luz do dia"
John Lennon ...

Vander Lee



"Mesmo que sejam falsos os poetas, os seus versos serão bons."
Chico Buarque



quinta-feira, 20 de dezembro de 2007


No documentário "A Pessoa é para o que Nasce", o diretor carioca Roberto Berliner retoma e amplia um curta premiado feito em 1998 sobre as irmãs e cantoras populares Regina, Maria e Conceição, de Campina Grande (PB).

No curta, ele apresentava o cotidiano das três mulheres que, mesmo sendo deficientes visuais, cantavam nas ruas e assim garantiam a sobrevivência de 14 parentes.

Agora, o diretor aborda a mudança na vida do trio, que se tornou celebridade justamente a partir da própria produção do curta-metragem.

O encontro com o cineasta, aliás, foi decisivo. Quando as conheceu, em 1997, na época em que filmava a série de TV "Som da Rua", sobre músicos anônimos, Berliner encontrou as irmãs num momento de interrupção momentânea da carreira.

Foi a produção do programa quem lhes deu novamente os ganzás, instrumentos com os quais se apresentavam, o que permitiu retornarem à vida artística.

A repercussão deste programa de TV, bem como do curta filmado posteriormente, fez com que a música das irmãs chegasse aos ouvidos de gente como Naná Vasconcelos e Gilberto Gil, na época curadores do festival Percpan.

Assim, elas foram convidadas para participar do festival como artistas profissionais, apresentando-se em Salvador e São Paulo, pela primeira vez na vida recebendo cachês e ao lado de atrações nacionais e internacionais.

O longa registra esta que foi a única turnê das "Ceguinhas de Campina Grande", como foram chamadas pela imprensa.

O diretor Roberto Berliner tem 46 anos e filmou curt
as premiados no Brasil e no exterior, caso de "Angola" (1989), "Street Sounds" (1997) e "Tuning the Inner Side" (2002).

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

Site: UOL

Axé

Meditação significa a arte de estar sozinho e amar significa a arte de estar junto. A pessoa completa é aquela que conhece ambas as artes e é capaz de se mover de uma para outra e com a maior facilidade possivel.É exatamente como a inspiração e a expiração - não há dificuldade. Elas são opostas - quando inspiram o ar, é um processo; quando expiram, o processo é exatamente o oposto. No entanto, inspiração e expiração formam uma respiração completa. Na meditação, voces inspiram; no amor, expiram. Com o amor e a meditação juntos, sua respiração estará completa, inteira, total.(OSHO)

domingo, 16 de dezembro de 2007

"Eu podia tá roubando, matando... Mas não. Tô aqui escrevendo esse Blog."

Michel Melamed está no UOL com site e blog
O carioca Michel Melamed é poeta, ator, escritor, roteirista e apresentador de TV. Criou e apresenta o programa "Re[Corte] Cultural", na TVE Rede Brasil. Além de ter sido roteirista e apresentador do "Comentário Geral", na mesma emissora, é autor e protagonista dos espetáculos "Regurgitofagia", "Dinheiro Grátis" e "Homemúsica", com estréia prevista para 2007, completando a trilogia.E tanta produção criativa não poderia ficar fora da Internet. Melamed estréia no UOL seu site oficial e um blog, e em ambos privilegia a interação com o público. O fundo do blog traz uma mostra do que acontece na seção "Orgia" do site, área na qual o visitante pode participar de uma verdadeira "orgia poética". Ao entrar, basta o internauta clicar na palavra 'novo' para incluir um texto, imagem ou música de sua escolha. Todo o conteúdo da seção é móvel, e pode ser arrastado para onde se desejar. No site, que em breve contará com versões em inglês e francês, é possível conferir textos, peças, vídeos e fotos de trabalhos do poeta, assim como conhecer seus novos projetos e turnês. A agenda do artista e dicas de leituras também estão à disposição do internauta."A Internet é incrível. É o tal fenômeno. Nas artes então, é uma revolução completa: a Internet está mudando totalmente a relação com o texto, a música, o áudio-visual. Você vê que editoras, gravadoras, canais de TV, todos estão sendo transformados por ela, estão se adaptando, prevendo. Então a Internet está mudando o mundo. E não é isso que a gente quer afinal? Hein?", comenta Melamed.Michel Melamed passa a fazer parte da estação UOL Personalidades, o maior portal de websites oficiais da Internet brasileira, que reúne quase 400 sites de figuras de destaque no cenário nacional. São escritores, esportistas, artistas plásticos, estilistas, atores e atrizes, e mais de 100 cantores, compositores, intérpretes e grupos musicais de todos os gêneros. Abrigam ali seus sites oficiais Millôr Fernandes, Fernanda Montenegro, Gerald Thomas, Luana Piovani, Chico Buarque, Charlie Brown Jr. e Marisa Monte, entre outros.
Confira o site oficial de Michel Melamed em: www.uol.com.br/michelmelamed

Participe do Blog em: http://michelmelamed.zip.net
[Site: UOL]

Desafinado, sem graça, mas esforçado...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Somos internautas...

Hoje, já não nos conhecemos.
Hoje, já não vemos nossos amigos.
Hoje, somos ambiente da rede.
Hoje, somos cidadãos do mundo.
Amamos a desconhecidos, somos palavras trocadas por fio.
Temos amigos, temos amor, temos a distância como amiga.
A tela como rosto, o teclado como voz, somos internautas.
Invisíveis, etéreos e sonhadores, somos tudo que queremos ser.

Amamos, brincamos e brigamos.


[Enviado por Claudiana]

domingo, 9 de dezembro de 2007

Proesia

Minha poesia, minha poesia
Minha poesia é prosa
Que nem Fernando Pessoa
A minha prosa é pressa
Peça, proeza, pureza em prol
Da beleza, perene aspereza

Serena papiza, candura travêssa
Técnica pura, axé, Zend Avesta
Espera feliz e um broto de sol
Minha poesia, minha proesia
Que nem Fernando Pessoa
Proseia e profetiza só

(Anselmo Oliveira, "Proesia" 27/11/07)

Fãs