sábado, 3 de setembro de 2011

Aleatorium Entrevista a blogueira Tati Vice



Diga lá, Tati, você está bem?
Podemos começar?

Bem, melhor que mereço!
Claro!

Para começar, como você foi parar no Texas?

Hummm.. tem a versão longa e a versão trailler. Vamos à versão trailler: eu me casei com um americano com quem namorava há 8 anos que mora no Texas. Ele é de Boston, mas vive aqui há mais de 15 anos. A gente namorava, as crianças cresciam e um dia decidimos que um de nós tinha de mudar de país. Foi quando desmobilizei a vida no Brasil e vim pra cá.
A versão longa envolve outros detalhes que não são assim, tão interessantes.

A adaptação se estende até hoje?
Não é fácil mudar de pátria assim né?
Já dominava a língua quando mudou?

Ah, acho que a adaptação é pra sempre, principalmente se essa mudança acontece na vida adulta. A gente carrega muita bagagem, apesar de eu viajar light à beça. Mas já tem outras malas, filho, cachorro, violão...complica. Então a gente vai observando a cultura, o jeito das pessoas, o clima e vai fazendo os arranjos, vai aprendendo a lidar com as diferenças sem ficar frustrado. Por exemplo, americano em geral é meio arredio a abraços, toques etc. E a gente que é brasileiro gosta de tocar as pessoas quando fala com elas. Dei muito fora, mas hoje em dia eu amarro as mãos e todo mundo fica feliz.
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É e não é. Por um lado, tem o peso da escolha. Quando a gente decide e escolhe, ouvindo e prestando atenção nos sinais, nos ruídos, nas perguntas tipo: "será que vou conseguir conviver com isso?" e se tiver paz no coração, as coisas dão certo.
A mudança, a papelada, as encheções de saco das burocracias, isso tudo fica fácil.
O outro lado da escolha é deixar o que ficou sem olhar pra trás. Esse lance do "se eu tivesse..." "e se fosse assim...", culpas, medos não cabem nessa hora. Como dizia um amigo meu, é acelerar e ir.
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Já falava inglês fluente, já tinha vivido na Inglaterra e aqui nos EUA, na Flórida. A língua não foi problema, já o sotaque....esse ainda é uma armadilha. Mas aprendi que um "pardon?" arruma tudo.

E porque escrever um blog?

Eu comecei o blog em Outubro de 2002. Sempre fui interessada em tecnologia, internet essas coisas e quando voltei a morar no Rio, gostava de ler a coluna da Cora Rónai no O Globo. Um dia, tinha alguma coisa falando sobre blog. Blog? O que é isso? E fui futucar. À época só tinha o Blogger que ainda não pertencia ao Google e cobrava uma graninha se você quisesse postar imagens, por exemplo. Foi como nasceu o Café Com Leite, um lugar que combinava minha paixão por café e por bom papos. Gosto muito de escrever sobre a vida, o cotidiano, comentar as notícias. Quando fazia jornalismo era ótimo pra praticar minhas matérias.
Desde então, o Café já mudou um pouco. Já foi muito visitado e frequentado e teve seus picos mais e menos. Uma vez o Café foi parar nos 10 mais do Blogger.
Hoje em dia eu brinco que tenho 3 leitores fiéis, que acompanham as minhas histórias. Mas o que mais gosto do blog é a liberdade de poder escrever o que penso, como penso sem muita neura. Não tenho mais satisfações a dar, sou uma pessoa totalmente não policaticamente correta e me divirto muito com isso.

Como comentei na entrevista anterior, o aspecto pessoal-não-umbigólatra que consta em alguns blogs como o seu é de uma raridade bela e fascinante que gera uma imprevisibilidade quase que desafiadora. E fácil.
Acho que um pouco disso também tem sustentado o Aleatorium durante esses 4 milênios de existência - claro que o Adsense também ajuda hehehe...
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Com esse tempo todo de internet, o que um site/blog tem que ter para ganhar o agrado e o follow da senhorita?

Eu gosto muito disso que você falou, da imprevisibilidade. Por isso gostei do Aleatorium, pelo humor também.
Gosto de idéias frescas, coisas novas, que me tirem da minha zona de conforto.
Um blog pra me pegar tem de ter um bom texto, bom humor é crucial, um bom visual, um lay-out fácil. Não consigo, por exemplo, ler páginas com o background preto e texto em amarelo ou branco, me mata os olhos!
O blogueiro tem de ter bom senso e se arriscar e acima de tudo saber se comunicar com sua 'audiência". Textos muito rebuscados, com palavras difícieis é pra livro de Filosofia. Também não dá pra sair decepando a língua Portuguesa com  abreviaturas indecifráveis.
O cara tem de fazer sua escolha, principalmente se quer ganhar grana com blog. Escolha sua platéia e assuma sua escolha que dá certo. Claro que no meio disso tem de ter flexibilidade, movimento, fluxo.
Mas a Internet é boa por isso: tem tudo pra todos os gostos.

Que tipo de café devo pedir para parecer um cara descolado?

Ahahahah! Mike diz que você deve pedir um café dublo cafeinado-descafeinado com um pingo de leite de soja desnatado e cobertura de chocolate amargo.
Não tem isso, um cara descolado pede uma média com pão na chapa na padaria e fica lindo de descolado. Ou um expresso "curto".

Hehehe
Você gosta mais dos USA do que o Mike gosta do Brasil?

Acho que a gente se gosta mais.
É aquilo que Tom Jobim disse uma vez: "Nova York é bom, mas é uma merda. O Brasil é uma merda, mas é tão bom..."

Redes sociais, o que tem a nos dizer sobre elas?

Fiquei muito tempo meio alienada delas. Tinha o Orkut, que abri mais pra monitorar meu filho que mora no Brasil, ver as fotos das sobrinhas, encontrar alguns amigos perdidos. Mas relutei muito pra ir para o Facebook. Fui pelo mesmo motivo que o Orkut e acabei gostando, pois é mais dinâmico.
O Twitter você deve saber, eu não tinha, achava meio demais. Mas você disse que era bacana e eu fui ver. Gostei, gosto de ler as  observações das pessoas.
Mas na verdade mesmo, às vezes acho tudo muito invasivo. Não que acredite em privacidade, não dá mais pra acreditar nisso, isso virou uma ilusão. Se você usa a Internet, não pode se iludir com esse papo de privacidade. O melhor que se pode fazer é administrar os rastros. O resto deixa com 'eles'.
Mas voltando para as redes sociais, como tudo, a gente pode usar bem ou mal. Tem gente que não consegue ficar calado sobre si mesmo, precisa publicar o Ego em caixa alta pra todo mundo ver e comentar. Tem gente que gosta disso.
Pra mim é mais uma ferramenta de comunicação. Ajuda muito a matar a saudade dos amigos, ficar em dia com o que é importante e participar quando é possível. Acho também que é muito democrático. Minha mãe, por exemplo tem Facebook. E eu acho isso um barato!

Realmente é!
Tati, o papo está ótimo, mas o tempo não admite desfeitas, encaminhemo-nos para a pré-saideira...
O que vc sente quando é convidada para uma entrevista?
Acha que deveríamos ter mais oportunidades de conhecer o pessoal que faz conteúdo para a web?

Claro, claro, afinal hoje é sexta-feira, seu aniversário...
Não sou tão convidada assim para dar entrevistas, mas me senti muito honrada com a oportunidade e com o privilégio de falar um pouco sobre minha experiência com o blog.
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Acho que toda plataforma livre para trocar idéias é interessante. Quem faz conteúdo pra web por si só deve ser generoso pra compartilhar os conhecimentos, as experiências, as dúvidas. Gosto muito quando me enrolo com CSS e HTML, widgets e afins e vou aos fóruns de discussão desse pessoal, que tem sempre boas e simples soluções pra dar. Ou quando quero ver o que anda acontecendo em termos de design gráfico e templates.
Fica melhor ainda quando a gente pode conhecer quem está por trás da idéia, do conteúdo, acho que desmistifica o troço, aproxima mais.
 Tem também aquela coisa, às vezes o livro é melhor que o filme, mas o importante mesmo é a gente não se levar muito à sério.

Para fechar este fecundo bate-papo, farei uma pergunta curta, uma pergunta muito simples:
Tatiana, o que é... a VIDA?

A Vida é um presente, uma graça, uma dádiva. Um privilégio que deve ser vivido um dia de cada vez.

Obrigado pela entrevista Mike, eu sei que você proibiu ela de dar entrevista Tati, valeu pelo dispensado aí viu!

Nada! Mike está dizendo que ele proibiu mas eu não escuto ele e não faço o que ele diz :)
Foi um prazer, espero que dê algum caldo!
Beijo grande!

Comentários
14 Comentários

14 Comentários. O que VOCÊ acha?:

  1. Anselmo, ficou legal! Já fiz propaganda no Facebook. Beijucas e melhoras!

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  2. Perfect!
    Tah vai... Quem vai ter um história mais legal que esse? Se bem que tudo é possível, mas estou falando isso só para demonstrar que de fato gostei dessa bíblia que vocês produziram essa noite e olha que em 02 linguás (Ahhhh... kkkk)

    Abraço do Ojuara - inté Pessoal!

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  3. [cc @OJuaraXD, @TatianaVice, @IgorJViana, @Liipe_Moreiras]

    Ojuara,

    Confesso que quando percebi o tamanho bíblico do post lembrei daquela épica discussão literária entre os PHDs Lipe e Igor.

    Mas apesar de longa li várias vezes, adorei o papo com a Tati =D

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  4. @anselmoelemesmo Foi bom mesmo o papo!

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  5. Foi otimo amei a entrevista divertida.
    Uma das '3' leitoras da Tati...bjssssss

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  6. O legal da atual internet é isso, não há barreiras, distância, enfim, nada que impeça a comunicação, digo, há o Mike. ;D

    Ótima entrevista e Tati, não fica ensinando esse cara ser descolado, ele se aproveita da nobreza dos entrevistados para aprender técnicas descoladas.

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  7. Analista, conselho anotado! Pobre Mike...tsc, tsc...

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  8. kkkkkkkkkkkk
    Adorei a entrevista!
    \o
    Abraços Anselmo o/
    Abraços Tati \o

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  9. Tati vice ... então quem foi que tirou primeiro lugar?

    ahsuhaush não pude resistir ... desculpemmm :-)
    Ótima entrevista Anselmo, cada vez mais sei que logo logo te vejo apresentando o Jornal Nacional =D

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  10. Adorei ter lembrado da discusão.. kkkkkkkkkk'

    #Rii de Mais :PP

    Sobre a Biblia, Ops..Digo, a Entrevista..

    Foi ótima, muito Linda ela ;)

    Mas meu s2 ja é da Laura kkkkkkkk'

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  11. Essa entrevista ai foi boa heim. 'guardando nos favorito rs".

    Ela parecer ser uma blogueira "filosofa", sério.

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  12. Sabe Tati!?
    Eu jamais amarraria as mãos, pois diversidade hoje, é um direito, e, eu sou professora de surdos.
    Beijo e boa sorte.

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  13. [cc @nichoches, @tatianavice, @liipe_moreiras]

    É bem por aí, Nichoches, fiLOLsofia!
    A Tati é garantia de conteúdo, dava pra fazer umas 17 entrevistas com ela, mas quis poupar vcs do Alcorão que ficaria isso aqui ;D

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